sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Os perigos da Internet


Os perigos da  INTERNET

Já alguma vez discutiu uma relação  por e-mail?

Não discuta.

O correio eletrônico é uma arma de destruição de massa (cerebral) em caso de conflito.

Quer discutir?

Quer descarregar e dizer tudo o que sente, mandar todos para a outra parte?

Faça isso a sós, em ambiente fechado.

Pessoalmente a coisa pode descambilhar e como dizem os Brasileiros,pegar fogo, até sair agressão verbal e mesmo física.

Mas a chance maior é que vocês terminem praticando o melhor sexo do mundo e trocando juras de amor eterno.

Brigar por e-mail é muito perigoso.

Existe pelo menos um par de boas razões para isso.

A primeira é que você não está na frente da pessoa.

 Ela não é “humana” a distância, é a soma de todos os defeitos.

A segunda razão é que você mesmo também perde a dimensão da sua própria humanidade.

Pelo e-mail as emoções ficam no frigorífico e a cabeça no microondas.

Ao vivo, um olhar ou um sorriso fazem toda a diferença.

 No e-mail todo o mundo localiza “risos”, mas ninguém descreve “choro”.

Eu sei disso, porque cometi esse erro, várias vezes.

 Nunca mais cometerei, espero.

Principalmente quando você ama de verdade a pessoa do outro lado.

Um tiroteio de mensagens escritas tende à catástrofe.

 Quando você fala na cara, as palavras ficam no ar e na memória, e numa hora acabam esquecendo de ambos.

“Eu não me lembro de ter dito isso” é um bom argumento para resfriar as tensões.

Palavras escritas ficam.

Podem ser relidas muitas vezes.

Ao vivo, você aguenta berros mandando-te ir para e/ou tomar em algum lugar.

Responde no mesmo tom rasteiro.

E segue em frente.

Por e-mail, cada frase ofensiva tende a ser encarada como um desafio para que outra parte escolha a arma mais poderosa destinada ao ponto mais fraco do “adversário”.

Essa resposta letal gera uma contra-resposta capaz de abalar os alicerces do edifício, o que exigirá uma contra-contra-resposta surpreendente e devastadora.

Assim funciona o ser humano, seja com mensagens, seja com bombas nucleares.

Ao vivo, um pode sentir a fraqueza do outro e eventualmente ter o nobre gesto de procurar poupar aquelas trilhas de sofrimento e rancor.

Ao vivo, o coração comanda.

Por e-mail é o cérebro que dá as cartas. E só Deus sabe o quanto podemos ser inconsequentes e cruéis quando entregamos o poder ao nosso segundo órgão preferido, segunda a sábia definição de Woody Allen.

E tem o fator fermentação.

Você recebe um e-mail hostil.

Passa horas intermináveis imaginando qual será a terrível, destrutiva resposta que vai dar.

Seu cérebro ferve com os verbos contundentes e adjetivos cruéis que serão usados no reply.

Aí você escreve, e reescreve, e reescreve de novo, e a cada nova versão do seu texto está mais colérico, e horas  passam de refinamento bélico do texto até que você decida apertar o botão do Juízo Final, no caso o Enviar.

Começam então as dolorosas horas de espera pela resposta à sua artilharia pesada.

É uma angústia saber que você agora é o alvo, imaginar que armas serão usadas.

E dependendo do estado de deterioração das relações, você poderá enlouquecer a ponto de imaginar a resposta que vai dar à mensagem que ainda nem chegou.

É por isso que eu aconselho, especialmente aos mais jovens: se for para mandar mensagens de amizade, se é para elogiar, se é para declarar amor, use e abuse dos meios digitais.

E-mail, messenger, chat, scraps, o que aparecer. Mas se for para brigar, brigue pessoalmente.

A não ser, claro, que você queira que o rompimento seja definitivo.

Aí é só abrir uma nova mensagem e deixar o veneno seguir o cursor.


Texto enviado para o Grupo Geroi-Brasil

Companheiro Adalberto J. Rodrigues



Repasse e actualização

Boaventura Nogueira

D1960


Nenhum comentário:

Postar um comentário