Os
perigos da INTERNET
Já alguma vez discutiu uma relação por e-mail?
Não discuta.
O correio eletrônico é uma arma de
destruição de massa (cerebral) em caso de conflito.
Quer discutir?
Quer descarregar e dizer tudo o que
sente, mandar todos para a outra parte?
Faça isso a sós, em ambiente fechado.
Pessoalmente a coisa pode descambilhar
e como dizem os Brasileiros,pegar fogo, até sair agressão verbal e mesmo
física.
Mas a chance maior é que vocês terminem
praticando o melhor sexo do mundo e trocando juras de amor eterno.
Brigar por e-mail é muito perigoso.
Existe pelo menos um par de boas razões
para isso.
A primeira é que você não está na
frente da pessoa.
Ela não é “humana” a distância, é a soma de
todos os defeitos.
A segunda razão é que você mesmo também
perde a dimensão da sua própria humanidade.
Pelo e-mail as emoções ficam no
frigorífico e a cabeça no microondas.
Ao vivo, um olhar ou um sorriso fazem
toda a diferença.
No e-mail todo o mundo localiza “risos”, mas
ninguém descreve “choro”.
Eu sei disso, porque cometi esse erro, várias
vezes.
Nunca mais cometerei, espero.
Principalmente quando você ama de
verdade a pessoa do outro lado.
Um tiroteio de mensagens escritas tende
à catástrofe.
Quando você fala na cara, as palavras ficam no
ar e na memória, e numa hora acabam esquecendo de ambos.
“Eu não me lembro de ter dito isso” é
um bom argumento para resfriar as tensões.
Palavras escritas ficam.
Podem ser relidas muitas vezes.
Ao vivo, você aguenta berros mandando-te
ir para e/ou tomar em algum lugar.
Responde no mesmo tom rasteiro.
E segue em frente.
Por e-mail, cada frase ofensiva tende a
ser encarada como um desafio para que outra parte escolha a arma mais poderosa
destinada ao ponto mais fraco do “adversário”.
Essa resposta letal gera uma
contra-resposta capaz de abalar os alicerces do edifício, o que exigirá uma
contra-contra-resposta surpreendente e devastadora.
Assim funciona o ser humano, seja com
mensagens, seja com bombas nucleares.
Ao vivo, um pode sentir a fraqueza do
outro e eventualmente ter o nobre gesto de procurar poupar aquelas trilhas de
sofrimento e rancor.
Ao vivo, o coração comanda.
Por e-mail é o cérebro que dá as
cartas. E só Deus sabe o quanto podemos ser inconsequentes e cruéis quando
entregamos o poder ao nosso segundo órgão preferido, segunda a sábia definição
de Woody Allen.
E tem o fator fermentação.
Você recebe um e-mail hostil.
Passa horas intermináveis imaginando
qual será a terrível, destrutiva resposta que vai dar.
Seu cérebro ferve com os verbos
contundentes e adjetivos cruéis que serão usados no reply.
Aí você escreve, e reescreve, e
reescreve de novo, e a cada nova versão do seu texto está mais colérico, e
horas passam de refinamento bélico do
texto até que você decida apertar o botão do Juízo Final, no caso o Enviar.
Começam então as dolorosas horas de
espera pela resposta à sua artilharia pesada.
É uma angústia saber que você agora é o
alvo, imaginar que armas serão usadas.
E dependendo do estado de deterioração
das relações, você poderá enlouquecer a ponto de imaginar a resposta que vai
dar à mensagem que ainda nem chegou.
É por isso que eu aconselho,
especialmente aos mais jovens: se for para mandar mensagens de amizade, se é
para elogiar, se é para declarar amor, use e abuse dos meios digitais.
E-mail, messenger, chat, scraps, o que
aparecer. Mas se for para brigar, brigue pessoalmente.
A não ser, claro, que você queira que o
rompimento seja definitivo.
Aí é só abrir uma nova mensagem e
deixar o veneno seguir o cursor.
Texto enviado para o Grupo Geroi-Brasil
Companheiro Adalberto J. Rodrigues
Repasse e actualização
Boaventura Nogueira
D1960
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