quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Prova Quádrupla

Fonte: Literatura Rotária.
B Nogueira RCTVedras
D\1960
                                             A PROVA QUADRUPLA
CONTADA PELO SEU CRIADOR.
O Relato abaixo contado pelo seu criador, o rotario Herbert J. Taylor, no ano de 1932, precisa e merece ser publicado, pois mostra-nos o quão importante são as quatro perguntas a qualquer rotario no seu ambiente profissional.
Apesar de ter sido criada naqueles tempos, mostra-se actual e pertinente no dia-a-dia de todos os rotarios.
Em  1932, fui encarregado pelos credores  da  Club  Aluminum  Company, da qual passei a presidir, de evitar a falência e consequente encerramento da empresa.
Actuava a mesma como distribuidora de utensílios de cozinha e de outros artigos para uso doméstico. 
A empresa devia na época uma  importância  superior  a  US$400.000  além  do  seu  próprio activo  total.

Ou  seja:  ESTAVA  FALIDA mas ainda sobrevivia.

Nessa ocasião, um banco de Chicago emprestou-nos  US$6.100,  parcos  recursos  com  os quais deveríamos prosseguir a operar.
Conquanto  tivéssemos  um  bom  produto, os nossos  competidores  também  comercializavam com material de excelente qualidade e de marcas largamente anunciadas.
A nossa empresa dispunha de  óptimos  empregados,   mas  a  concorrência  igualmente  os  possuía. 
E,  além  disso,  se  achavam,  naturalmente,  em  condições  económicas muito mais sólidas do que a nossa.
Com  tremendos  obstáculos  e  desvantagens a enfrentar, sentimos a necessidade de criar na nossa organização algo com que os competidores  não  contassem  em  idênticas  proporções.
Decidimos, então, que  teria de girar em  torno do carácter, da noção do dever e do espírito de servir do nosso pessoal.
Começamos por seleccionar cuidadosamente os nossos colaboradores e, em seguida, ajudá-los a tornarem-se melhores homens e mulheres, à medida que avançassem nas suas carreiras.
Acreditávamos na "força da razão" e resolvemos  tentar  o  máximo  para  que  estivesse sempre do nosso  lado.
A  indústria em que  trabalhava-mos,   como  acontecia  com  várias  outras,   tinha um código de ética, mas este era muito longo e quase  impossível de ser memorizado e, portanto, impraticável.
Concluímos,   assim,   que  precisávamos  de um  padrão  simples  para  avaliar  a  correcção  da nossa maneira  de  proceder  e  que  todos  na  empresa pudessem rapidamente lembrar-se.
Entendíamos que o texto proposto não deveria apontar aos nossos empregados o que  lhes competia  fazer,   porém  dirigir-lhes  perguntas  que lhes  facilitassem verificar se os seus planos, normas e acções estavam certos ou errados.

Havíamos  procurado  nas  publicações  disponíveis uma medida de ética curta mas não conseguimos encontrar uma satisfatória.
Um dia, em Julho de 1932, resolvi pedir uma luz divina. Comecei a orar...
Naquela manhã, debrucei-me sobre a minha escrivaninha e pedi a Deus que nos ajudasse a pensar,  falar e  fazer o que  fosse certo.

Imediatamente peguei um cartão em branco e escrevi "A Prova Quádrupla" do que nós pensamos, dizemos ou fazemos, assim:
1 - É a Verdade: 
2 - É justo para todos os interessados. 
3  - Criará boa vontade e melhores amizades?  
4 - Será benéfico para todos os  interessados? 

Coloquei esse pequeno elenco de perguntas sob o vidro de minha mesa de trabalho e deliberei ensaiá-la por alguns dias, antes de abordar o assunto com qualquer funcionário da empresa.
  
O  resultado  foi  deveras  desencorajador. 
Por pouco não  a lancei na cesta de  lixo.
Logo no primeiro  dia  quando  comparei  tudo  que  passou;
  "É a verdade?"
Nunca me havia, até então, percebido  de  quanto  estava  frequentemente  afastado da verdade e do número de  inexactidões que  figuravam  nos  documentos,  cartas  e  propaganda  da empresa.
Depois de cerca de dois meses de um sincero  e  constante  empenho  de  minha  parte, estava completamente convencido do seu valor e, ao mesmo  tempo,   imensamente  humilhado,   e  às vezes desanimado, com o meu próprio desempenho como presidente da empresa.
 
Tinha,   entretanto,   progredido  bastante  naquele propósito de respeitar o teste para julgar-me autorizado  a  mencioná-lo  aos  meus  associados.

Discuti-o com os quatro chefes de departamento, que  curiosamente,   eram  de  quatro  religiões  ou crenças distintas:
Um era católico, o segundo cristão cientista, o  terceiro  judeu ortodoxo e o quarto presbiterado.

Indaguei a cada um deles se notava algum detalhe na Prova Quádrupla contrário à doutrina e aos  ideais da sua particular devoção.
Todos concordaram  que  o  culto  da  veracidade,   equidade, amistosidade e prestimosidade não só se ajustava aos  seus  princípios mas  que,  se  permanentemente observados  nos  negócios,  essas  virtudes  lhes asseguravam maior sucesso e aperfeiçoamento.
 
Anuíram então em averiguar se os planos, normas, informações e publicidade do estabelecimento  se  enquadravam  aos  ditames  da  Prova  Quádrupla.
 
Posteriormente,   pediram que  o  pessoal decorasse e adoptassem nas suas relações com os demais.

A  investigação  da  linguagem  dos  nossos anúncios,   à  luz  da Prova Quádrupla,  resultou  na eliminação de expressões  cuja autenticidade não podia ser demonstrada.
Superlativos como "o melhor", "o maior", "o único", desapareceram da nossa  propaganda.

Como  consequência,   o  público gradualmente passou  a  depositar  crescente  fé no que declarávamos  nos  anúncios  e  a  comprar mais das nossas mercadorias.

O uso  ininterrupto da Prova Quádrupla  levou-nos  a  alterar a  nossa  orientação  relativas  às relações com os competidores.
Abolimos da nossa  literatura  e  reclames  quaisquer  comentários adversos ou prejudiciais aos produtos da concorrência.
Quando  se oferecia uma oportunidade de elogiar os nossos colegas não hesitava-mos em fazê-lo.
Assim, conquistamos a sua consideração, respeito e amizade.
 
A obediência aos preceitos da Prova Quádrupla no  trato com os nossos empregados, fornecedores e clientes garantiu-nos a sua estima e boa vontade. 
Aprendemos  que  a  afeição  e  confiança daqueles  com  quem  nos  associamos  são  essenciais ao êxito duradouro dos negócios.
 
Graças ao leal esforço dos nossos servidores por mais de vinte anos, atingimos com firmeza os  alvos  a  que  a  Prova  Quádrupla  se  propunha atingir.
 
Fomos  recompensados  com  um  contínuo aumento  das  nossas  vendas  e  lucros,  das  quais, passaram  a  participar  desta  remuneração  todos os funcionários da empresa.

Falida em 1932, conseguimos, em poucos anos,  saldar  todas  as  dívidas  da  firma,  e  ainda recompensamos  os  accionistas  com  o  pagamento de mais de um milhão de dólares em dividendos.
 
De  uma  dívida  de US$400.000,  atingimos um  activo  superior  a  US$2.000.000.000  (dois  milhões de dólares).
 
Todos  esses  resultados  se  originaram  de um  investimento  inicial de apenas US$ 6.100, da observância da Prova Quádrupla e do labor intenso  de  algumas  dedicadas  criaturas  que  acreditaram na bondade divina e actuaram sob a inspiração de elevados ideais.
 
Os  dividendos  atingidos,   derivados  da adopção da Prova Quádrupla, são ainda mais significativos  do  que  os  financeiros.
Vimos  crescer,   a nosso favor, a boa vontade, a estima e a confiança dos clientes, dos concorrentes e do público em geral  e,  o  que  é  mais  valioso,  assinalamos  um grande aprimoramento dos predicados morais do nosso corpo de funcionários e empregados.
Descobrimos que a Prova Quádrupla podia ser aplicada a  todas as modalidades de contactos, no  sector  dos  negócios,   no  curso  da  própria  vida doméstica, social e cívica.
E, dessa  forma, passamos a ser melhores pais, melhores amigos e melhores cidadãos.

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