Fonte: Literatura Rotária.
B Nogueira RCTVedras
D\1960
A PROVA QUADRUPLA
CONTADA PELO SEU CRIADOR.
O Relato abaixo contado pelo seu criador, o rotario Herbert J. Taylor, no ano de 1932, precisa e merece ser publicado, pois mostra-nos o quão importante são as quatro perguntas a qualquer rotario no seu ambiente profissional.
Apesar de ter sido criada naqueles tempos, mostra-se actual e pertinente no dia-a-dia de todos os rotarios.
Em 1932, fui encarregado pelos credores da Club Aluminum Company, da qual passei a presidir, de evitar a falência e consequente encerramento da empresa.
Actuava a mesma como distribuidora de utensílios de cozinha e de outros artigos para uso doméstico.
A empresa devia na época uma importância superior a US$400.000 além do seu próprio activo total.
Ou seja: ESTAVA FALIDA mas ainda sobrevivia.
Nessa ocasião, um banco de Chicago emprestou-nos US$6.100, parcos recursos com os quais deveríamos prosseguir a operar.
Conquanto tivéssemos um bom produto, os nossos competidores também comercializavam com material de excelente qualidade e de marcas largamente anunciadas.
A nossa empresa dispunha de óptimos empregados, mas a concorrência igualmente os possuía.
E, além disso, se achavam, naturalmente, em condições económicas muito mais sólidas do que a nossa.
Com tremendos obstáculos e desvantagens a enfrentar, sentimos a necessidade de criar na nossa organização algo com que os competidores não contassem em idênticas proporções.
Decidimos, então, que teria de girar em torno do carácter, da noção do dever e do espírito de servir do nosso pessoal.
Começamos por seleccionar cuidadosamente os nossos colaboradores e, em seguida, ajudá-los a tornarem-se melhores homens e mulheres, à medida que avançassem nas suas carreiras.
Acreditávamos na "força da razão" e resolvemos tentar o máximo para que estivesse sempre do nosso lado.
A indústria em que trabalhava-mos, como acontecia com várias outras, tinha um código de ética, mas este era muito longo e quase impossível de ser memorizado e, portanto, impraticável.
Concluímos, assim, que precisávamos de um padrão simples para avaliar a correcção da nossa maneira de proceder e que todos na empresa pudessem rapidamente lembrar-se.
Entendíamos que o texto proposto não deveria apontar aos nossos empregados o que lhes competia fazer, porém dirigir-lhes perguntas que lhes facilitassem verificar se os seus planos, normas e acções estavam certos ou errados.
Havíamos procurado nas publicações disponíveis uma medida de ética curta mas não conseguimos encontrar uma satisfatória.
Um dia, em Julho de 1932, resolvi pedir uma luz divina. Comecei a orar...
Naquela manhã, debrucei-me sobre a minha escrivaninha e pedi a Deus que nos ajudasse a pensar, falar e fazer o que fosse certo.
Imediatamente peguei um cartão em branco e escrevi "A Prova Quádrupla" do que nós pensamos, dizemos ou fazemos, assim:
1 - É a Verdade:
2 - É justo para todos os interessados.
3 - Criará boa vontade e melhores amizades?
4 - Será benéfico para todos os interessados?
Coloquei esse pequeno elenco de perguntas sob o vidro de minha mesa de trabalho e deliberei ensaiá-la por alguns dias, antes de abordar o assunto com qualquer funcionário da empresa.
O resultado foi deveras desencorajador.
Por pouco não a lancei na cesta de lixo.
Logo no primeiro dia quando comparei tudo que passou;
"É a verdade?"
Nunca me havia, até então, percebido de quanto estava frequentemente afastado da verdade e do número de inexactidões que figuravam nos documentos, cartas e propaganda da empresa.
Depois de cerca de dois meses de um sincero e constante empenho de minha parte, estava completamente convencido do seu valor e, ao mesmo tempo, imensamente humilhado, e às vezes desanimado, com o meu próprio desempenho como presidente da empresa.
Tinha, entretanto, progredido bastante naquele propósito de respeitar o teste para julgar-me autorizado a mencioná-lo aos meus associados.
Discuti-o com os quatro chefes de departamento, que curiosamente, eram de quatro religiões ou crenças distintas:
Um era católico, o segundo cristão cientista, o terceiro judeu ortodoxo e o quarto presbiterado.
Indaguei a cada um deles se notava algum detalhe na Prova Quádrupla contrário à doutrina e aos ideais da sua particular devoção.
Todos concordaram que o culto da veracidade, equidade, amistosidade e prestimosidade não só se ajustava aos seus princípios mas que, se permanentemente observados nos negócios, essas virtudes lhes asseguravam maior sucesso e aperfeiçoamento.
Anuíram então em averiguar se os planos, normas, informações e publicidade do estabelecimento se enquadravam aos ditames da Prova Quádrupla.
Posteriormente, pediram que o pessoal decorasse e adoptassem nas suas relações com os demais.
A investigação da linguagem dos nossos anúncios, à luz da Prova Quádrupla, resultou na eliminação de expressões cuja autenticidade não podia ser demonstrada.
Superlativos como "o melhor", "o maior", "o único", desapareceram da nossa propaganda.
Como consequência, o público gradualmente passou a depositar crescente fé no que declarávamos nos anúncios e a comprar mais das nossas mercadorias.
O uso ininterrupto da Prova Quádrupla levou-nos a alterar a nossa orientação relativas às relações com os competidores.
Abolimos da nossa literatura e reclames quaisquer comentários adversos ou prejudiciais aos produtos da concorrência.
Quando se oferecia uma oportunidade de elogiar os nossos colegas não hesitava-mos em fazê-lo.
Assim, conquistamos a sua consideração, respeito e amizade.
A obediência aos preceitos da Prova Quádrupla no trato com os nossos empregados, fornecedores e clientes garantiu-nos a sua estima e boa vontade.
Aprendemos que a afeição e confiança daqueles com quem nos associamos são essenciais ao êxito duradouro dos negócios.
Graças ao leal esforço dos nossos servidores por mais de vinte anos, atingimos com firmeza os alvos a que a Prova Quádrupla se propunha atingir.
Fomos recompensados com um contínuo aumento das nossas vendas e lucros, das quais, passaram a participar desta remuneração todos os funcionários da empresa.
Falida em 1932, conseguimos, em poucos anos, saldar todas as dívidas da firma, e ainda recompensamos os accionistas com o pagamento de mais de um milhão de dólares em dividendos.
De uma dívida de US$400.000, atingimos um activo superior a US$2.000.000.000 (dois milhões de dólares).
Todos esses resultados se originaram de um investimento inicial de apenas US$ 6.100, da observância da Prova Quádrupla e do labor intenso de algumas dedicadas criaturas que acreditaram na bondade divina e actuaram sob a inspiração de elevados ideais.
Os dividendos atingidos, derivados da adopção da Prova Quádrupla, são ainda mais significativos do que os financeiros.
Vimos crescer, a nosso favor, a boa vontade, a estima e a confiança dos clientes, dos concorrentes e do público em geral e, o que é mais valioso, assinalamos um grande aprimoramento dos predicados morais do nosso corpo de funcionários e empregados.
Descobrimos que a Prova Quádrupla podia ser aplicada a todas as modalidades de contactos, no sector dos negócios, no curso da própria vida doméstica, social e cívica.
E, dessa forma, passamos a ser melhores pais, melhores amigos e melhores cidadãos.
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