QUADRO SOCIAL - REFLEXÕES
Alguns
clubes tradicionais, outrora pujantes, dinâmicos, hoje ressentem-se da inacabada
renovação.
Sobrevivem na rotina de um quadro
social decorativo, ineficaz, ausente.
Assim
sendo, é preciso abrir os olhos.
Quando
um Rotary Clube, não importa a idade, possui um quadro associativo disperso e
desinteressado, avesso a novas propostas e ideias, é um sinal de que ele
envelheceu, está amarelo e morrendo.
Para
manter acesa a chama do ideal de Paul Harris, o seu clube deve estar verde e
crescendo, o que significa ser eficiente e eficaz, actuante e determinado,
consciente da sua força e da sua grandeza.
Muitos
dizem que o clube é o presidente, se o presidente for bom, o clube vai bem, se
o presidente for fraco, o clube vai mal.
Ouvi,
por exemplo, que os índices de retenção dependem de líderes actuantes no quadro
social.
Tenho
hoje uma percepção diferente: fosse a premissa correcta, teríamos clubes
oscilantes, fortes num período, fracos no outro, ao sabor do presidente.
Acredito
que o que faz o clube não é apenas a pessoa do presidente, mas sim a totalidade
do quadro associativo.
Um
Rotary Club é o reflexo dos seus sócios.
Clubes
de qualidade correspondem a sócios de qualidade, dedicados ao ideal de
servir, fiéis aos princípios rotários e éticos.
Em
qualquer sociedade, a ética é antes de tudo a capacidade de seguir as regras
que tornam possível a vida colectiva.
Há
sócios que já nem comparecem.
Pouco
se importam com os índices de frequência, não mais expostos nos boletins.
Aparentemente
consideram os trabalhos rotários subalternos.
Falta-lhes
tempo, disposição, boa vontade para
sair da zona de conforto, abraçar a causa, ir à luta por um mundo melhor e mais
justo.
Outros,
contestadores por natureza, costumam levantar dificuldades ante qualquer
proposta.
Poderíamos chamá-los
de personagens problemas, o contrário do personagem solução que busca resolver,
superar obstáculos, viabilizar empreendimentos.
Todo
o Rotary Club, assim como uma Equipa de futebol, depende do trabalho em equipe
para atingir as suas metas e objectivos.
Um
time pode ter o melhor técnico, o mais preparado, o mais competente.
Ele
pode ser um grande líder, mas todo o esforço será em vão se o conjunto de
seus atletas não estiver à altura, se não houver um verdadeiro espírito
de corpo, uma sinergia que faça com que cada jogador pense primeiro na
equipe, nos objectivos maiores, para depois pensar em si próprio.
Grandes
treinadores e atletas que se tornaram também grandes palestrantes, são unânimes
em afirmar que, para manter o espírito de corpo da equipa, para manter a
harmonia do conjunto, muitas vezes torna-se necessário eliminar os focos
de desajuste, excluir quem não soma, quem não consegue enxergar além de
seu próprio umbigo.
A
esses, ensinam, não resta alternativa senão a da remoção, mesmo
sendo talentosos, de valor individual, mas dissociados dos objectivos
maiores do colectivo.
Num
Rotary Clube é a mesma coisa. As regras da convivência harmónica obrigam-nos a
afastar qualquer forma de arrogância, de preconceito, de intolerância.
O
arrogante é aquele que acha que já sabe, que já conhece.
O
arrogante considera-se superior, que é dono da verdade, que não precisa seguir
as normas.
Entretanto,
sabemos que no Rotary, é muito difícil afastar alguém.
Daí,
nas admissões, a ênfase a ser dada na qualidade como requisito precedente
à quantidade.
Por
outro lado, quando um clube possui um quadro social pequeno e um custo fixo
elevado, muitas vezes não se pode prescindir do sócio pagador, ainda que
ele transgrida às regras de frequência.
Somos,
então, levados a contemporizar, mesmo sabendo que a ausência é sempre um
exemplo negativo, principalmente para os mais novos. Como proceder?
A
meu ver, a solução mais viável é procurar rapidamente aumentar o quadro social.
Só
há um jeito: é falando uma linguagem moderna.
É
levantando uma bandeira, procurando uma causa que mobilize os jovens, que
motive as mulheres, que reacenda
nos mais velhos a chama do verdadeiro rotario, que atraia a família rotária.
Somente
assim o seu clube voltará a ser o que era.
Lembre-se
que a força de um clube não está no número de sócios, mas nos resultados que
obtém nas comunidades.
“GENTE SIMPLES, FAZENDO COISAS PEQUENAS, EM LUGARES POUCO IMPORTANTES ,
CONSEGUE MUDANÇAS MARAVILHOSAS.”
É o Rotary em que acredito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário